Audiências de pastor preso suspeito de usar igreja para castigos físicos e abusos sexuais começam no MA
Fórum de Paço do Lumiar realiza audiência de instrução do líder religioso David Gonçalves Começa, nesta segunda-feira (21), a audiência de instrução ...
Fórum de Paço do Lumiar realiza audiência de instrução do líder religioso David Gonçalves Começa, nesta segunda-feira (21), a audiência de instrução e julgamento do pastor David Gonçalves da Silva, líder religioso da igreja Shekinah House Church, acusado de estupro de vulnerável, tortura e estelionato contra fiéis da instituição localizada em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp As audiências serão realizadas no Fórum de Paço do Lumiar. De acordo com a Vara Criminal do município, devido ao grande número de pessoas que serão ouvidas no processo, a fase de instrução foi dividida em cinco dias. Durante as audiências, devem ser ouvidas as supostas vítimas, testemunhas e o próprio acusado. Segundo a denúncia, o pastor utilizava manipulação psicológica e sua posição de liderança para coagir fiéis a residirem em alojamentos da igreja, além de impor castigos físicos e cometer abusos sexuais. Em nota, a Vara Criminal de Paço do Lumiar informou que o processo tramita em segredo de Justiça. Por esse motivo, as informações divulgadas são limitadas e a imprensa não poderá acompanhar as audiências de instrução. Pastor preso no MA é suspeito de usar igreja para castigos físicos e abusos sexuais Reprodução Entenda o caso O pastor David Gonçalves Silva, líder religioso da igreja Shekinah House Church, foi preso em 17 de abril, no âmbito da investigação "Falso Profeta", por suspeita de crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa. Segundo depoimentos das vítimas, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas. “Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico”, disse uma das vítimas. De acordo com o delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, a investigação durou cerca de dois anos e começou após denúncias feitas por ex‑fiéis. O inquérito policial já identificou, até o momento, entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes investigados. A partir do depoimento de uma das vítimas, outras pessoas foram identificadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará. De acordo com a polícia, o sistema de punições ajudou o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por anos. Entre as vítimas estão pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que relatam ter procurado a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua. As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos aplicados era chamado de “readas”, que consistia em chicotadas com um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos. De acordo com uma das vítimas, os castigos eram aplicados sempre que alguém descumpria regras internas ou contrariava ordens do pastor. Homens eram os principais alvos dos abusos sexuais, diz polícia Os investigadores da Polícia Civil afirmam que, embora a comunidade fosse formada por homens e mulheres, os homens eram os principais alvos dos abusos sexuais. “Ele dizia que, por fora, podia ser homem, mas que, em quatro paredes, tinha que ser mulher para poder nos ludibriar. Isso aconteceu por vários anos e hoje sou um cara que vive atormentado, com muitas lembranças. Tenho vergonha, mas tô lutando todos os dias para mudar esse centro na minha mente", relatou uma das vítimas. A polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes Reprodução Durante o cumprimento do mandado no local, a polícia apreendeu folhas de papel com a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder” escrita mais de 100 vezes (veja acima). Segundo os investigadores, esse era um dos castigos impostos aos fiéis. “Lá, eles não tinham nem acesso ao público de fora e tinham o comportamento determinado por ele o tempo todo, com separação de homens e mulheres, com uma vigilância intensa, inclusive na hora do banho, com câmeras no local, que ele conseguia verificar se os indivíduos estavam, inclusive, satisfazendo as questões sexuais dele, para poder punir esses indivíduos”, disse o delegado.